31.1.08

Diário do Oeste - 6

Há mais de uma hora que cheguei a casa e o vizinho de baixo ainda não parou de treinar A Rosinha dos Limões no acordeão, alternando de vez em quando com um tango conhecido de que não me lembro o nome e voltando novamente à Rosinha. Menos mal que ele até toca razoavelmente, mas não há dúvida que isto é sina minha: eles perseguem-me.

Pelo caminho vi-me de repente num pequeno engarrafamento à entrada da Marteleira, quando dois gansos resolveram atravessar a estrada, de asas abertas e pescoço esticado, a gritarem insultos grasnados para os automóveis enquanto os colegas faziam claque lá atrás, ainda dentro da cerca. Acabaram por ir para a borda e deixarem passar o pessoal, embora sempre em grande refilice. Uma pena ser um sítio tão mau para parar, senão bem que tinha encostado para ir fotografar os fura-cercas.

E por falar em apanhados, esta aqui foi tirada hoje de manhã no minimercado:
ah pois, cá a mim essa água do Fastio nunca me enganou

E agora o evento cultural do dia aqui na Terra dos Loureiros: o desfile de Carnaval dos lares da terceira idade. Pelo menos tiveram sorte com o tempo, que hoje fez sol e aguentava-se bem o frio. À frente ia uma camioneta a abrir o cortejo, a tocar umas musiquinhas brasileiras que já eram antigas no tempo em que os participantes nasceram (mamãe eu quero e afins) - o habitual - enquanto os velhinhos iam todos atrás a apitar em grande cagaçal, embora muito devagarinho, para a brigada da muleta poder acompanhar.



alguns Zorros na reforma


Não é por nada, mas fiquei com a sensação de que alguns dos foliões não estavam ali de livre vontade...

30.1.08

Noite de sábado para domingo, 3 da manhã

Estava o ermita à espera que a cafeteira eléctrica fervesse a água para a sua borrachinha quando ouviu uns gritos agudos vindos lá de fora. Quando olhou, estavam dois fulanos em cuecas a sair de dentro do lago da rotunda e a correrem naqueles preparos pelo alcatrão, meios tolhidos pelo frio, para um carro parado na berma com uns quantos galfarros lá dentro. Uma aposta ou uma grande buba (ou as duas coisas), que certamente a esta hora já se transformou numa constipação das antigas. As melhoras aos dois.
O lago é este, visto da minha janela; à noite os repuxos estão parados e a temperatura da água deve estar óptima para os pinguins.

Para os que nunca ligam a argumentos válidos:

Salvem a Terra; é o único planeta que tem chocolate!

autor desconhecido (pelo menos para mim)

26.1.08

Diário do Oeste - 5

Tarde de sexta-feira passada numa sala de espera, para em seguida o sacrista do médico me proibir de ir ao ginásio, "pelo menos enquanto não tivermos mais exames". Ainda tentei negociar a coisa, "eu não me canso, não faço o cardiofitness, é só levantar uns pesitos, coisa pouca...", mas ele não foi na conversa. Ok, pronto, eu acato a coisa, mas se depois do raças dos exames ele não me garantir que morro mais depressa se for ao ginásio, logo lhe digo onde é que o doutor vai enfiar as proibições. Já um gajo não pode morrer como lhe der na gana, hem?


Para cumprir a tradição felina de Janeiro, a minha Zarosky voltou a entrar na fase do meaowww ('tou feita, pois).

a coisa má' linda da dona


Isto aqui é uma codorniz espanhola (é capaz de piar com salero, não sei) e o dedo da mão que a segura é do Ricardo. Abstenho-me de explicar para que é que esta desgraçada serve, porque é daqueles temas que me provocam instintos assassinos.

Por isso, prefiro mostrar coisas agradáveis, tipo:

o bolo da tia que despachámos hoje ao lanche;

a Chica toda prenha;

o hibisco do vizinho(photo tirada em Outubro, mas que já há uns tempos que estava para entrar)




flores no quintal da tia;

pombos no telhado;

bagas das Cezaredas
(pois, esta também não foi tirada hoje)



com a Yara e o Yuri no quintal da tia
(sim, 'tou de cinzento, mas nada de entusiasmos; este exemplar é a única variante do meu roupeiro)

22.1.08

Diário do Oeste - 4

Dias um tanto atribulados, em que fiquei a saber que não vou chegar a velha (hummm... talvez tenha as suas vantagens, sempre me vou livrar de muita coisa chata, né? - rugas, menopausa, artrites, patarequice, aquelas coisas todas que sempre me assustaram)

Enfim; coisas que acontecem.


E tenho o carro outra vez no estaleiro, depois de um orçamento de 400 euros se ter transformado noutro de 150 sem ser preciso recorrer a artes mágicas - bastou ir perguntar a outro mecânico. Tem um senão, claro: a oficina que leva barato fica lá em cascos de rolha, mas enfim, pela diferença de preço até vale a pena gastar um bocadito mais de gasolina. De qualquer maneira, como não fazia ideia onde é que aquilo ficava, pelo sim pelo não resolvi fazer uma voltinha de reconhecimento no sábado passado, a ver onde era a aldeia das Cezaredas (uma vez que só hoje é que o moço tinha tempo para pegar no meu carro - como leva barato, está sempre a abarrotar). Assim, peguei na tia para ajudar à navegação e lá fomos nós à procura do sítio. Passámos por uma data de terreolas, tudo pegado umas nas outras, até chegarmos a um cabeço a seguir a Feteiras, já mais descampado, onde vi uns moinhos que me deram logo cócegas na câmara; não que tivessem algum interesse em particular, já que por aqui há muitos moinhos, mas por causa da inscrição num deles. Ora vejam:
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...Ok, os moinhos que ainda trabalham já vão sendo raros e este até pode estar bem estimadinho pelo dono, que faz questão de preservar o património, pois, mas também não era preciso pôr legendas... nem exagerar.


Isto faz-me lembrar uma outra placa que encontrei aqui há uma série de anos, quando fui para as bandas de Monsaraz à procura de umas antas que vinham assinaladas num roteiro turístico. Metemo-nos por uns caminhos de tractor, lá pelo meio de uns campos, até darmos com uma placa a dizer "anta" e a apontar para um carreiro. Seguimos por ali e mais adiante encontramos mais uma placa com uma setinha que dizia "outra". Eram duas antas, pois... Uma pedra - literalmente (uma pena não ter fotografado as placas).


E já agora, aqui vai mais uma photo em grande contra-luz, com um dos outros moinhos que ficam ao pé do "histórico":
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Sim, claro que ficou tudo preto, mas vista em grande até resulta, ora cliquem lá... (isto sou eu a experimentar as potencialidades da maquineta, topam? São as minhas primeiras aventuras com o digital)


Lembram-se de lhes ter falado nos cabritinhos? Ok, se não se lembram é só andarem com o scroll para baixo (se gostarem de cabritinhos aos pulos, evidentemente). Pois estes já cresceram bastante desde o dia 24, mas ainda não o suficiente para se manterem atrás da vedação. E como podem atravessar para o lado de cá, é uma festa. Parece que em tempos havia couves no terreno da Manuela...
.É pena não ter nenhum objecto de referência para se ver o tamanho dele, mas garanto que não é maior que o meu gato (embora a Zarosky seja uma matulona; pesa mais de cinco quilos).


Esta aqui que está a espreitar pela rede é uma cabra com dois filhotes, já mais matulões do que o preto e branco aí de cima, mas que ainda continuam a conseguir passar por baixo dos arames.
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Olé!!!
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e aqui temos a família toda
.De resto, quase não há novidades para contar. Não sei se me está a falhar o sentido crítico para avaliar os indígenas ou se é por estar demasiado habituada a eles (foram muitos anos a passar férias na Terra dos Loureiros; acho que já lhes conheço demasiado os costumes para estranhar alguma coisa). E depois, os meus contactos com eles são mínimos. Por isso, acho que vou meter mais umas photos para encher. Cá vai:
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o cão da Manuela (sim! é o Snoopy! como é que adivinharam?)
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os gatos da Manuela (o Tininho - mais claro, olho fechado - e a Tiquitas - siamesa de olho azul) - esta não é minha, é uma photo da Inky
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o pombo da Manuela
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os crisântemos da Milucha

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E as coisas fofas da tia, dois manos de cinco meses :
com a Yara
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com o Yuri
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No dia de Reis não me apareceram três barbudos de camelo mas tive a visita destas duas prendas que resolveram passar aqui pela Terra dos Loureiros. Não trouxeram nada daquelas tretas dos outros (mas eu também não sou o menino Jesus), mas passaram no Ikea e compraram-me uma bela prateleira para a casa de banho como prenda de Natal. Já agora, obrigadinho também à Vera, que contribuiu para a prateleira, embora tenha ficado a ver navios da minha parte, 'tadinha, porque além de eu já não ir à civilização há bués, neste momento 'tou mais tesa que um bacalhau seco (o meu estado normal, aliás).


o Francisco a esconder-se atrás da Elsa; o moço é tímido
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E mais nada a assinalar por hoje.

11.1.08

YOU KNOW YOU ARE LIVING IN 2008 when...

You accidentally enter your PIN on the microwave.

You haven't played solitaire with real cards in years.

You have a list of 15 phone numbers to reach your family of three.

You e-mail the person who works at the desk next to you.

Your reason for not staying in touch with friends and family is that they don't have e-mail addresses.

You pull up in your own driveway and use your cell phone to see if anyone is home to help you carry in the groceries.

Every commercial on television has a web site at the bottom of the screen.

Leaving the house without your cell phone, which you didn't even have the first 20 or 30 (or 60) years of your life, is now a cause for panic and you turn around to go and get it.

You get up in the morning and go on line before getting your coffee.

Genial

Just remember - If the world didn’t suck, we would all fall off.

enviada pelo Leo Mendonça

1.1.08

Ok, tenho uma tia baixinha...

...mas as couves do vizinho são mesmo grandes.

Diário do Oeste - 3

O ano começou com um dia atrofiado, com o sol escondido atrás das nuvens e um friozinho do caneco, pelo menos aqui na Terra dos Loureiros. Quanto ao 2007, ficou para trás com um belo jantar em que nos empanturrámos que nem uns alarves, para depois passarmos o resto de um serão de frete à espera da meia noite, de cu alapado nos sofás, a zapingarmos entre as imbecilidades da televisão. O habitual. Já há uns anos que deixei de ir a algum lado, porque as últimas vezes que passei o reveillon numa discoteca levei grandes banhadas. Mas acho que está na altura de tentar outra vez, que estas jantaradas televisivas são altamente deprimentes. No último Natal que eu passei só com o gato (2005), pelo menos tinha uma garrafa de Raposeira, que tratei de ir despachando ao longo do serão, e acho que foi dos melhores Natais de sempre, em que eu estava a achar piada a tudo. Lembro-me que às tantas pus um vídeo, via uma cena, rebobinava e voltava a passar a mesma coisa não sei quantas vezes, a falar sozinha ("vá lá outra vez, vá...") e a rir que nem uma tontinha. Mas este ano, além de estar na casa da tia com mais pessoal, onde não convém dar muita barraca, até o espumante tinha um gosto azedo - éramos seis e sobrou quase meia garrafa, portanto já 'tão a ver a surrapa que saiu.
E palpita-me que vou andar uma semana a comer peru...
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o meu pai a dormir, o meu irmão a bater-se à photo e o Yuri (gato da tia) a ver onde vai morder a seguir
oh, que serão interessante...
- pelo menos o puto fartou-se de brincar com os gatos
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fotografia premonitória ao iman do frigorífico, segundos antes desta desgraçada levar uma panada e ficar com o chapéu escavacado e uma perna a menos
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E como não há mesmo nada de interessante para contar, cá vão mais umas photos das iluminações aqui do burgo (e é o que há):
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largo da igreja dos Campelos - esqueceram-se de acender o pirolito do meio, que quase não se vê aqui
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pormenor das iluminações - até que faz um efeito giro
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há várias destas espalhadas pelo largo, mas é a única que consegui fotografar sem ser atropelada