17.3.08

Dia de São Patrício

Por aqui ninguém costuma festejar o São Patrício, mas podíamos começar a adoptar a tradição, não exactamente por devoção ao santinho, mas porque é uma óptima desculpa para a malta ir encher os canecos logo à noite no pub irlandês mais próximo - e não se esqueçam de levar qualquer coisa verde vestida, porque pode haver lá irlandeses a sério, dos que dão beliscões na gente se não cumprimos a tradição.



Algumas definições do Urban Dictionary sobre o dia do São Patrício:

Saint Patrick's Day

- A day when you gather around a keg of Guinness and drink like there's no tomorrow.

- One of the better holidays, where people who aren't even irish pretend to be, and everyone gets drunk.

- The bestest day in the entire world. Everyone is Irish and you can drink until you're shit faced. Guinness flows like water and you get to pinch people on the ass.

- A wonderful reason to get completely shitfaced before noon, then take a nap, and do it again that evening. Celebrated heavily from the midwest to east coast by everyone, not just exclusively Irish folks. In the Chicagoland area, Saint Patrick's Day is nearly a weeklong celebration of booze and parades.

15.3.08

Diário do Oeste - 12

E pronto, já fiquei a saber que o meu alarme funciona, pois, mas o ginásio tem música e o raças do aparelho apita tão baixinho que eu só dou conta demasiado tarde, quando já estou a sentir que tenho uma aorta - o que não é nada agradável, acreditem. Quer isto dizer que tenho de passar a vida a olhar para o mostrador, para ir controlando as pulsações e para fazer umas pausas mais longas sempre que já estiverem demasiado animadinhas. Nunca deixar subir muito, para o motor não se engasgar.
Pois. Sabem que mais? Isto é uma chatice. Uma grande chatice.
E alguém se lembra daquelas pantufinhas horrendas que o Pai Natal me trouxe? Que até lhes tirei o retrato e tudo? Só para assinalar que, além de as ter estreado no final de Janeiro e a esta altura já estarem praticamente desintegradas (eu tenho um estranho efeito sobre as pantufas...), andava a estranhar elas estarem tão largas, mas pensei que isso fizesse parte do processo de desintegração. Só hoje, quando estava com elas na mão, a ponderar se iam já pró lixo ou se ainda as metia na máquina a ver se encolhiam, é que vi que na sola está escrito 40/41. Ora eu calço o 35. Concluo portanto que, ou o Pai Natal está a ficar um tanto gagá - porque há alguns quinze anos que o gajo me traz pantufas do número certo - ou então confundiu o meu pezinho com o da sua senhora (a Merry Christmas, como toda a gente sabe), que se deve então ter visto à nora para calçar umas pantufas 35...
Quanto à minha dieta, ia de vento em popa até chegar esta época pré-Páscoa e aparecerem os ovos de maçapão do Liedl. A casquinha de chocolate não é grande coisa (sabe a velho), mas aquele naco de massa de amêndoa lá por dentro... hummm... O difícil é conseguir comer só um bocadinho. E quando não se consegue, vai-se enfardando alegremente até o enjoo ser mais forte que a lambarice e a seguir vem a crise de figadeira e as borbulhinhas na testa. Uma gaita. Acabaram-se as idas ao Liedl até passarem as festas. Ah pois, tem de ser.
...Ok, eu confesso que ainda tenho dois ovos e meio na gaveta dos talheres. Mas vou retomar a dieta e perder os quilitos que faltam. A sério. Até porque quero muito caber dentro do meu lindo espartilho de vinil sem ficar com a banhola a sair, na Gathering do dia 7 de Junho. Não sabem o que é? Então sigam o link:
http://www.thegatheringparty.org/home.html
É só para tarados. Espero vê-los lá a todos. E desta vez vou levar a tia; acho que ela anda cheia de fungas pra dar porrada em alguém e pode ser que encontre uns voluntários por lá.
Parte da tarde passada com a tia no cemitério dos Campelos, com a missão de limpar os limos que sarapintavam a pedra mármore da campa de dois tios-avós e de deitar no lixo as horrendas flores de plástico já carcomidas e desbotadas que estavam na campa da minha avó - lá postas por um ilustre desconhecido, com certeza com a melhor das intenções.
Em geral, e como qualquer gó que se preze, eu gosto de cemitérios. Encontram-se lá algumas coisas surpreendentes, outras interessantes, outras caricatas. Mas há coisas que eu não encaixo, como esta ideia do pessoal passar a vida a ir lá pôr flores moribundas em cima de corpos em decomposição. Demasiado macabro. Doentio, até. E não faz sentido. Se não, reparem:
- para quem acredita que a alma saiu do corpo e foi lá não sei pra onde, então aquilo que ali está é só um resíduo, uma casca velha sem capacidade nenhuma para apreciar as florinhas que os parentes lá põem;
- para quem lá vai por causa da memória do ente querido... bom, não seria melhor lembrá-lo vivo e a mexer? É que depois de morto ele nunca mais fez nada de interessante... É para isso que servem as photos e as lembranças pessoais. ...Acho eu;
- para quem acha que os vizinhos se vão fartar de dizer mal se a campa do defunto não tiver flores frescas todas as semanas, bom, então talvez esteja na altura de mandar esses gajos todos à fava, até porque eles falam na mesma ("pois, quando ele era vivo tratava-o abaixo de cão, mas agora anda lá sempre a pôr flores. Deve ser a consciência a pesar...").
Ah sim, a cremação é uma coisa óptima. Higiénica. Ecológica. E podemos sempre largar as cinzas num sítio bonito, dizer adeus ao parente e pronto, assunto arrumado. Sem flores, nem obrigações, nem cuscas.
E se o meu motor fizer pum (ou se levar com um camião TIR em cima, ou escorregar na casca da banana e bater com a cabeça na nuca), já sabem: eu quero ser cromada, hem?! Nada de buracos no chão com florinhas por cima. Senão eu venho lá do outro mundo e ajusto contas com voceses todos. Muáháháhá...! (isto era uma gargalhada sinistra)







O cemitério cá do burgo, comprido que se farta - quando eu era miúda isto tinha menos de metade do tamanho. E acho que as campas são já todas dos meados do século XX. Por aqui morre-se muito...
Floresta de pedra. Assim visto ao longe isto até é bonito...
O pior é ao perto:
Corações de pedra com dizeres, um livro em cima, uma estátua enorme com as mãos no ar, uma lanterna, uns passarinhos a voar, a respectiva photo do defunto e mooontes de florinhas. E um bocadinho de sobriedade? ...Não? A sério, qual é a ideia? O morto fica mais contente? Os santinhos vão ter mais consideração pela alma dele? Os vizinhos vão achar que vocês gostavam muito do homem? E que ele deixou tanto dinheiro que até deu para fazer isto tudo? Talvez seja mais por aí, não?
Pelos vistos, este tema do homem barbudo com as mãos no ar é recorrente. Aqui temos uma versão em pedra: A posição é um tanto estranha. Ele estará a dar vivas? ("Yes! Yes! Livrámo-nos dele!") Ou estará a implorar misericórdia aos céus? ...mas então o defunto era assim tão bera que precisa que implorem por ele ad aeternum? Não estou a ver bem a ideia.
Ok, se um dia destes eu quinar com uma sacholada nos cornos, já sabem porque é que foi.
E pronto, agora umas coisas bonitas para limpar a vista:


Uma árvore que dá flores, no quintal da Teresa Padeira. Gostava de saber o nome disto; tem um aspecto bastante exótico.
Cheirinho a Primavera.


A Zarosky a beber água da Companhia - e aparentemente não a acha assim tão má, que ao princípio eu dava-lhe água da minha, do garrafão, porque às vezes até me agonio só a lavar os dentes, tal é o gosto, mas ela continua a pedir-me a da torneira. E eu faço-lhe a vontade, claro.

9.3.08

Diário do Oeste - 11

Tempos pouco interessantes, sem nada a assinalar, salvo talvez o tralho da minha tia em cima do alcatrão, que a ia deixando toda escavacada.


Tenho outra photo bem mais ilustrativa mas também bastante gore, em que se vê a nódoa negra em todo o seu esplendor, com crosta no meio e tudo, mas isso não se faz à tia, que lá tem os seus pudores.
Como praticamente não ponho os cotos fora de casa, também não sei de nada que se possa ter passado aqui na Terra dos Loureiros - o costume. Mas por alguma razão isto se chama "o ermita urbano" - ou ainda não tinham percebido?
E agora tenho alarme, um aparelhinho parecido com um relógio, caro com'ó raio que o parta, que (em princípio...) apita quando a minha pulsação ultrapassar x pun-puns por minuto, para eu saber quando devo parar e descansar. Mas como ainda não fui ao treino, também ainda não sei se consegui regular aquilo bem. Amanhã devo finalmente poder recomeçar e depois logo lhes conto se aquela gaita desatou pra lá a fazer um granda vasqueiro ou se nem sequer apita.
E entretanto há a minha ida ao cinema para ver o Sweeney Todd. Se quiserem dar uma espreitadela ao site - vale a pena, sobretudo para quem aprecia webdesign - aproveitem para ver o trailer:
http://www.sweeneytoddmovie.com/
Comecei por estar um tanto de pé atrás por ser um musical, mas é tudo uma questão de hábito - e o hábito a gente apanha em três tempos porque aquilo é praticamente tudo a cantar. Não há que temer; os actores vão todos lindamente e conseguiram safar-se bem nas cantorias. E afinal até gostei da música, já pra não falar em tudo o resto, adereços, cenários, fatiotas, tudo altamente dark e escolhido a dedo. Gó mais gó é difícil. E mais sangrento também. Ainda bem que não levei a tia, senão ela ia passar metade do filme a tapar os olhos e a perguntar se já podia olhar para o écran. Embora aquele sangue seja muito pouco realista. Pelo que li, o original era cor de laranja vivo, porque depois tinham de afinar os tons para ficar tudo com aquele ar cinzento, tudo com aquela cara de desenterrado, brrrrr, e nessa altura é que o tornaram vermelho, mas mesmo assim bem que podiam ter posto uma coisa mais líquida. Não por pretensões realistas, mas porque assim assustava mais, né?
O Johnny Depp consegue manter aquele ar de quem 'tá completamente passado dos cornos do princípio ao fim, de tal maneira que acho que o moço até deve ter ficado com as rugas do sobrolho mais fundas, do tempo que passou a fazer esta cara de mau:


E depois há o bónus, que é o Alan Rickman a fazer o papel do juiz - o gajo já passou dos sessenta, é um facto, mas este aqui ainda me levava aos figos, garanto - e esta é especial para as meninas que estão sempre a dizer que eu sou uma esquisita que não gosta de nada, e onde é que é o meu caixote do lixo e não sei quê - eu tenho padrões, oh queridas. E agora babem:


Não arranjei nenhuma photo do homem a fazer de juiz Turpin, ou melhor, as que encontrei são todas demasiado escuras e parte delas são das cenas em que ele está cheio de espuma na cara.
Mas tenho um videozinho que vale sempre a pena (voltar a) ver para apreciar o espécimen:

ah faneca...!
O segredo está naquele olhar à matador - aprendam meninos.