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4.6.09

Olhópassarinho!

melro na relva ratada à porta da minha casa - uma pena o zoom não dar p'ra mais

rola na varanda, a ver a minha mão a segurar a máquina por entre a cortina e ainda a decidir se será caso p'ra fugir ou não

dois pombos no telhado da Manuela a tentarem perceber por que raio estarei eu com a mão no ar, por cima do muro, a segurar uma coisinha prateada

28.4.09

Diário do Oeste - 31

25 de Abril passado numa casa de banho, a fazer de parteira para a Sally, que estava com algumas dificuldades em parir a sua primeira ninhada.
Quando lá cheguei, a tia tinha instalado a Sally numa cesta e tinha posto a telefonia a tocar baixinho. Assim que entrei, comecei logo a refilar por causa do barulho e tratei de o desligar.
- Era para ver se ela acalmava - explicou a tia - Não dizem que a música afera as mansas?
Esta vai ficar para a posteridade. A tia só se apercebeu do que tinha dito porque eu me desatei a rir, mas ontem a minha comadre disse-me ao telefone "olhos que não sentem, coração não vê" e eu fiquei caladinha e deixei passar muito naturalmente.
Fui fazendo massagens na barriga da Sally e acompanhando as contracções até começar a sair a cabeça do primeiro, que ficou bastante tempo entalado, só com o nariz de fora. Como a natureza não parecia decidida a seguir o seu rumo sozinha e a gata se começou a queixar, puxei-o para fora - um gatinho todo preto - e a partir daí os outros saíram todos facilmente, até o segundo, que vinha de rabo em vez de vir de cabeça - três gatinhos pretos e brancos e mais um riscadinho.
Estes vultos um tanto indistintos na barriga dela são as cinco crias.
E aqui já todos sequinhos e agarrados à teta.
Com isto fazem dez gatinhos - porque no dia 1 de Abril a Riscadinha já tinha tido cinco crias na casa da tia:
A família no dia 26, já com as crias todas espertas e esgravulhas:
E o tio Gafas a descansar no quintal:
É um assustadiço, mas consegui caçá-lo com o zoom:
Uma salada de malmequeres roxos no quintal da tia - também já os conhecem aqui do blog, mas ficam sempre bem
- e os lírios amarelos da Nisa, que este ano deram uma molhada deles:
Continuando pela vizinhança, temos o canito mais novo da Odete, o Gil,

e o filhote da Tiquitas, o Napoleão, assim chamado por influências daquele anúncio do blá blá blá.
A Tiquitas é a gata da Manela, que também costuma fazer as suas aparições no blog, aqui a lavar o Napoleão.
O Napoleão a mostrar a barriga, completamente irresistível, e é claro que eu tive de lá meter a mão e deixar-me morder e arranhar e isso tudo - afinal, é essa a piada deles:
O Napoleão seguiu ontem para casa da nova dona, apesar da Manela estar cheia de fungas para ficar com ele, mas como já lá tem três gatos, cinco cães, dois canários, uma série de galinhas e um bando de pombos, realmente o melhor era deixar o Napoleão seguir viagem.
Pombos no telhado da Manela.


No dia 26 voltei aos Casais para ver se os meus protegidos estavam todos de boa saúde (protegidos, pois, que se eu não estivesse lá, a tia só tinha deixado ficar uma cria - e eu sei que estou a arranjar sarna para me coçar, mas pronto). Depois do almoço fui dar uma curva à pata com a tia, para tirar fotografias às flores e ao que mais aparecesse. Como o cão da Milucha, por exemplo, que até deitou a língua de fora para a fotografia:

Um cacto altamente picoso na rua da Milucha, que já me andava a fazer cócegas há que tempos, mas que nunca mais tinha oportunidade de ir lá fotografar (normalmente quando passo por ali já vou com o arroz ao lume):
E aqui os picos floridos em pormenor:
Uma rosa amarela na mesma rua, um bocadinho mais adiante:
E a seguir metemo-nos pela Rua dos Imigrantes... ou será dos Emigrantes? Pois, porque estas placas pertencem à mesma rua - está uma em cada ponta:

Ou eles estavam com dúvidas ortográficas, ou resolveram homenagear os migrantes todos - os que vêm e os que vão. Uma espécie de dois em um, estão a ver...?
Ao longo da rua, parte dela ainda por alcatroar, há uma série de campos e de vistas para dentro dos quintais. Foi assim que dei com este espantalho a proteger as couves:Ou só para dar cor local, muito provavelmente - vocês acreditam que os pássaros tomam isto por uma pessoa? Eu também não.
E agora mais uma data de exemplares da fauna silvestre cá do sítio:
Umas coisinhas pequeninas e roxas com um ar delicado que se estendem por cima da gravilha.
Um cardo contra o fundo preto das minhas calças - há que aproveitar os recursos que temos à mão (ou nas pernas), né?
Um campo cheio de florinhas amarelas e roxas.
Um arbusto florido no quintal não sei de quem.

E mais umas florinhas amarelas para terminar o passeio.
Na sexta-feira fomos finalmente vacinar o Chiquinho e combinar a capadela para daqui a quinze dias. Nunca tive nenhum gato castrado - suponho que a tia também não - e sempre fui um tanto contra, mas acabei por me render por uma questão de protecção. O pobre do Shy desapareceu há umas semanas e já perdemos as esperanças de que ele volte a aparecer. O Yuri passa a vida à trolha com o Tininho e volta e meia chega a casa todo esgatanhado. Com isto, esperemos que o Chiquinho nunca se aventure para muito longe, um tanto como uma gata, que nunca marque território lá em casa e que não se meta em sarrafuscas com os outros machos. ...Ok, acho que ainda me estou a tentar convencer de que existem de facto bons motivos para lhe fazer isto. Porque lá no fundo continuo bastante incomodada com a perspectiva. E se ele soubesse o que o espera, ainda estaria mais...


E pronto, para terminar temos ainda a Yara com ar de esfinge a apanhar sol,
e aqui a tomar banho:
Mãozinhas bem lavadas.



E é tudo por agora.

1.3.09

(espécie de) Diário do Oeste - 30

Ermita sem nada para contar. E quando não há nada para contar, o pessoal normalmente põe-se a falar do tempo. Neste caso é um tempinho maluco, que tão depressa chove como faz sol, típico da Primavera que ainda vem longe, mas algumas plantinhas não se ralam nada com isso e já se começaram a adiantar.

Regos floridos num pomar dos Casais onde mora a tia



e uma laranjeira carregadinha.
No entanto há outras que mantêm a tradição e ficam todas carecas nesta altura. O que dá óptimos contrastes e contra-luzes com este céu super-azul. acho que isto é uma macieira a hibernar

e aqui é um exemplar enorme e altamente ramalhudo
Entretanto as couves da Nisa desataram a grelar:
couves com antenas
Para algumas espécies, chegou decididamente o tempo delas:
um jacinto lilás no quintal da tia
e as primeiras flores da árvore à porta dela,

uns galhos meios despidos com aspecto de ikebana

Uma flor do tal arbusto da Teresa Padeira que aqui mostrei o ano passado: e continuo a não saber como é que isto se chama
mas também não interessa; é uma coisa gira com muitas flores e poucas folhas - essas vêm durante o resto do ano

Um cacho de brincos de princesa, mais conhecidos aqui na terra como "brincos de princês" - seja lá o que isso for

e uma sardinheira, uma plantinha que se mantém activa o ano todo, porque as sardinheiras raramente metem férias
E agora não sei se isto é alguma doença ou uma mutação da espécie. Mas o resultado até ficou giro: Malmequeres com pétalas dobradas no quintal da Milucha
Outros que também não metem férias: os cravos túnicos
um exemplar todo molhado - lembro que isto ao vivo tem uns três centímetros de diâmetro
e um que também já aqui apareceu no blog no Inverno passado um dos tais espigos giros que só se dão nesta altura
e um irmãozinho dele ainda em fase de amadurecimento

O Inverno também é a altura dos altos meowwwws e da guerra pelas gatas; os machos passam as noites à trolha uns com os outros e no outro dia estão tão cansados que ficam a dormir; e enquanto isto, há logo um juvenil que aproveita a distracção para tentar a sua sorte com as miúdas:
mas a Yara não estava nada para aí virada - literalmente
O Yuri esta tarde ao colo da tia, passados já os calores da época Depois de ter ficado uns dias em casa dela, o Chiquinho resolveu mudar-se de vez para lá, passando assim a ser o terceiro gato oficial da tia, com direito a dormir no quarto dela e tudo - e se a Riscadinha, a Sally e o Shy se resolverem instalar também, a tia deixa de precisar de pôr cobertores na cama (mas provavelmente vai precisar de uma cama mais larga) o Chiquinho na cesta


e a tia a coçar o Chiquinho
O Chiquinho ficou assim chamado por ser filho da Chica, um gato com uma queda inata para fazer pose:

A Manela a agarrar o Canininho, que já está a ficar um matulão:
O Canininho é um gato um bocado tímido que só sai do quintal dele quando a dona o traz. É filho da Tiquitas, irmã da Chica, e os dois ramos da família distinguem-se bem pelo rabo.
A Tiquitas com o seu cotozinho no ar, muito comum em siameses. O Canininho tem um rabo parecido, bestialmente torto, enquanto que o Chiquinho tem uma cauda comprida igual à da mãe.
Uns vêm pelo seu pé, outros ao colo e outros ainda pelo ar - os pombos da Manela em cima do telhado da tia:
E isto é um espelho partido ao pé da casa da Rosalina:
preferi não aclarar a fotografia, mas acho que dá para notar que o caixote do lixo ficou todo torcido
E por aqui os sinais de stop estão a precisar de uma boa pintadela; já aqui tinha aparecido um todo picado da ferrugem, mas afinal há mais: Este já está a ficar com a chapa carcomida, não deve haver tinta que lhe valha.
E uma passadeira, coisa interessantíssima, dirão vocês, mas reparem lá bem no efeito de craquelet que ficou no alcatrão E um bocado mais adiante, à falta de efeitos especiais, houve um Diogo romântico que resolveu fazer uma declaração pública à Eliana em cima do asfalto:
E ela respondeu.
Só mais uma texturazita para a colecção: Dois montes de gravilha numa zona em obras.
E pronto. Não havia nada para contar nem grande coisa para mostrar, mas isto de vez em quando fica muito parecido com um photo-blog, portanto já ninguém estranha. So dess ne.
(é como é - continuo a dar-lhe com o japonês, pois.)