
E que me fez descer do terceiro andar para a ir deixar na relva lá em baixo.


E agora, depois do momento bucólico, prosseguimos para Junho.
esta criatura de presença assídua aqui no meu blog, desta vez com um bolo a deitar estrelinhas e tudo,
e o corte de cabelo do meu irmão, que passou deste ninho de mafagafos onde já nem entrava o pente
para isto:
(um sorrisinho amarelo para a abelhuda da mana, sempre com o raças da maquineta em riste)
Lá dentro tem um altar todo ornamentado, como podem apreciar,
e de um lado tem um santinho com uma vassoura na mão
que não sei quem é, mas podemos depreender que seja o patrono dos varredores, e do outro tem o São Lourenço a segurar a sua grelha:
O São Lourenço era o tal que estava a ser grelhado e disse aos carrascos que estava na altura de o virarem porque daquele lado já estava bem passado. É das tais histórias em que um gajo não sabe se há-de rir ou de ficar com os cabelos em pé.
O bolo do baptizado, uma cama azul com um bebé em cima:
Apesar desta cor de matéria radioactiva, garanto que era comestível e que era até muito bom. Aliás, o único senão do dia foi esse: o facto da comezaina estar óptima. O problema das meninas como eu, que passam a vida a fazer dieta, com medo de passarem de falsas magras a verdadeiras gordas, é que apanham um dia de festa e pensam "ora que se lixe, 'bora mas é encher a mula, que não é só por um dia que o gato vai às filhoses". E pimba. Vá de começar pelos salgadinhos, continuar com os pratos quentes e rematar com um bocadinho de bolo deste e daquele e mais do outro que também tem bom aspecto, mais o café e uma mousse p'ra tirar o gosto. ...Meninos, por aquilo que me lembro, eu nunca tinha comido tanto na minha vida. Garanto. Foi enfardar até lhe chegar com o dedo. Saí daquele baptizado às seis da tarde, tão empanturrada que só voltei a conseguir comer à hora do lanche do outro dia (um iogurte magro a saber a culpa).
Fechei a porta (com o gato do lado de fora) e ao fim de um bocado lá consegui agarrá-lo. Larguei-o pela janela, para o passarinho ir à vida dele, enquanto a Zarosky olhava para mim com aquele ar desdenhoso de quem acha que eu sou um bicho muita parvo.
E esta aqui foi tirada em cima da cama - com uma pontaria assinalável, consegui apanhar a Zarosky e a minha cabeça sem cortar nenhuma de nós, e nem sequer se percebe que eu estou com o braço no ar a segurar a câmara.
Acho que o meu pai foi o único que não se assustou - ou pelo menos conseguiu disfarçar. A minha madrasta perguntou que raio é que me tinha dado, o meu irmão só se riu, a minha comadre arremelgou os olhinhos e tentou dar a volta à coisa rapidamente ("ah, eu gostava de ter a tua coragem para fazer isso...") e a minha tia achou que eu agora parecia uma fufa - e ainda por cima uma fufa velha, por causa dos brancos todos.

Aqui ainda não tinha os meus lindos elefantes por cima do espelho (ver 1ª photo):
E pronto, ficaram a conhecer a sala do ermita. Agora falta arranjar o meu quarto, pintar o corredor e comprar uma mesa para a cozinha. Vai aos poucos, p'ra não custar tanto.
Estando eu enterrada em trabalho até às orelhas e a comadre cheia de fungas de se ir torrar ao sol, poucas oportunidades houve para fazermos alguma coisa em conjunto, a não ser ir lá abaixo tomar café.
E aqui temos o ermita, o pai do ermita e a comadre do ermita no café lá de baixo.
Uma bela gradação de cores: cru, tostadinho e esturricado.
E nesta altura já estão todos espertinhos e quase independentes, com toda a genica das suas cinco semanas:
O Saca-Rolhas e o Ponto de Interrogação, assim chamados por terem saído com o rabo torto:
Um dos branquinhos com a fêmea tigrada, a mais minorca do grupo.
Umas coisas fofas, todas com o nariz escuro, que vamos começar a tentar distribuir na semana que vem.
Sabíamos que ela tinha estado prenhe e que tinha ido parir algures, às escondidas. Trouxe a cria para o quintal cerca de mês e meio depois, provavelmente por estar sem leite. Era uma fêmea espantadiça, que nunca tinha visto gente, e que eu só conseguia apanhar com o zoom:
Mas no domingo 21 consegui deitar-lhe a mão e já não a larguei. Com tanta concorrência à volta do prato, o bicho era só pele e osso.
Estava tão em baixo, que apesar do susto de ter sido agarrada quase adormeceu no meu colo.
O veterinário deu-lhe soro e antibiótico, enquanto eu tratava de a atestar de paparoca especial para gatos desnutridos, e nos cinco dias que passou comigo já se notava uma grande diferença. Apesar de se assustar quando eu avançava para ela - em termos de proporções, era como se eu visse um braquiossauro a avançar para mim - deixava-se agarrar facilmente e a seguir fartava-se de brincar e de ronronar. São genes de Chica - os filhotes dela têm saído todos umas máquinas de ronronar como a mãe.
Uma bolinha peluda entre as almofadas.