Brincos de princesa
Uma violeta minúscula


Quanto à porta das meninas, não sei se a placa teria inicial porque já só lá está o sítio.

E a Yara em pleno "miau". Quando tiramos fotografias a alguém a falar, o resultado é semelhante. Mas bastante menos divertido, é um facto.
Quem disse que as galinhas não voam? Ok, não serão meninas para grandes voos, mas conseguem dar uns pulos esvoaçados suficientemente grandes para chegarem aos telhados e ciscarem o musgo. Ora vejam lá estes dois:
As photos estão um bocado ranhosas porque o meu zoom não dá para mais, mas como podem ver temos aqui uma galinha branca e um galo às cores a passearem em cima das telhas.
A Estrela, uma cadela toda simpática que se pôs logo de cu no ar assim que me viu a apontar-lhe a máquina, a pensar que era uma brincadeira nova qualquer;
e aqui é o... Sporting? Ou será Leão? Eles são cinco e não me lembro qual é este, mas será uma coisa dessas. Enfim, é um cão ao sol a bater-se à photo.
Acho que ficou tão assarapantada que nem se atreveu a mexer-se com aquela coisa vestida. Ainda tentou desenfiar uma pata de dentro da cava, mas a capa estava muito justa e não lhe dava espaço de manobra. Já que não se conseguia livrar daquilo, deixou-se ficar quieta enquanto eu a fotografava, embora com um ar altamente chateado:
Tirei as photos só para ficarem para a posteridade, despi-lhe a fatiota e disse à minha madrasta que a trocasse por qualquer coisa que lhe interessasse - aliás, a condição foi essa logo à partida, combinada com o chinês antes de ela me trazer isto. E entretanto continuo a tapar o gato com um edredon enquanto ele faz as suas sestas pelos sofás, se não for ele mesmo a enfiar-se por baixo dos cobertores.
E uma folha um bocadinho rota da planta super farfalhuda que a minha tia tem no quintal, vista em contra-luz para mostrar os veios:
Quanto ao meu Natal, desta vez não tive pantufas, nada disso, que estas aqui fui eu que as comprei em Torres, a antecipar-me ao Pai Natal antes que o gajo me trouxesse outra vez umas coisas enormes em pano de colchão, como aquelas lindezas do ano passado (é só ir ver lá atrás, que eu pus a photo aqui no blog).
Mesmo assim, isto não me aquece os presuntos. Mas isso não há nada que aqueça se não tiver uma fonte de calor qualquer. Eu costumo ter os pés tão frios (e as mãos e o nariz), que ponho a borracha de água quente na cama e tenho a sensação de que ela não me aquece; eu é que a arrefeço.
E mais uma caneca às florinhas, uns brincos de prata e a edição especial do dvd do Sweeney Todd. Os brincos e o dvd é que era de facto aquilo que eu tinha pedido - e é sempre melhor fazer pedidos ao Pai Natal do que ficar à espera que o gajo acerte, por muito que o pessoal ache que assim se perde a graça. Para mim não perde nada, que eu gosto pouco de surpresas. Mas gramei os livros. É o resto que me faltava da colecção que andava a sair todas as semanas e que eu pensava que já não conseguia arranjar. O barbudo teve olho, não há dúvida.
E aqui é a minha árvore de Natal deste ano, com bolinhas castanhas e laçarotes dourados. Não me lembro se no ano passado já estava assim ou se tinha as bolas azuis, mas estas ficam melhor com a decoração.
Com a língua de fora, a fazer caretas à gente. Hihihi.
E pois, é uma chatice, mas um gajo começa a envelhecer e já só consegue ficar razoável a fazer poses parvas, com a cabeça levantada para parecer tudo mais lisinho.
Provavelmente nem sequer faz parte do espólio do Berardo, até porque não tem nada a ver com as outras, um conjunto enorme entre o chinês e o indiano. As tais estátuas da colecção estão a seguir a este portal enorme:
E logo depois vem esta avenida cheia de carecas:
Para o meu sentido estético, os budas e afins são todos um tanto atarracados, com a perna curta e um ar grosseiro. O que impressiona mesmo é a quantidade de estátuas e a gente imaginar a trabalheira e a despezona que foram precisas só para acartar com aquilo tudo até ali.
E agora, como não fiz os trabalhos de casa e não fui pesquisar a net para saber quem são estes todos, também não posso pôr legendas. Esta (ou este?) aqui em cima faz-me lembrar uma deusa da felicidade porque tenho uma estatueta de louça muito parecida - e foi assim que a chinesinha que ma vendeu a identificou (e data isto dos anos oitenta, da época pré-chinês massificado, quando só se arranjava coisas exóticas em lojas da especialidade). Mas pode não ser nada disso, portanto é melhor não arriscar. É talvez a estátua maior de todas e está no cimo de uma encosta.
Pois é isso: são mais braços. As asas são leques de mãos. E na parte de trás tem outro moço igual a este.
Um buda dourado na encosta onde está aquela matulona que aparece na primeira fotografia.
Uma das estátuas de que mais gostei (apesar de também ter a perna curta), que estava logo à entrada do parque. Uma pena ter algumas mãos partidas.
Estas colunas estão a rematar um grande campo de soldados de terracota. Têm uns dragõezinhos giros no cimo e o fuste está todo gravado com sauvásticas - a suástica é ao contrário, tem as "perninhas" para o outro lado, nada de confusões.
E cá estão eles, os tais guerreiros de terracota, uns mais pintados do que outros, com cavalinhos e tudo.
Pela posição das mãos, presumo que eles deviam estar a pegar em lanças, espadas ou rédeas.
Os tais cavalinhos, um bocado baixotes para os cavaleiros, mas pronto, também não é preciso ser picuínhas, né?
Um grande plano de um dos pintalgadinhos e um grupo deles instalado no cimo de uma encosta.
E mais uma photo das tais que eu classifico nas texturas, desta vez com uma data de estátuas pequenas em frente ao campo dos soldados.
E acho que já chega por hoje.
Pendurámos abóboras e espalhámos velas por todo o lado e entretanto o pessoal foi chegando. Foi bom rever o grupinho dos geeks que frequentava o bar da Elsa - no tempo em que a Elsa tinha o bar onde eu me enfrascava aos fins de semana, quando morava em Cacém City. Entretanto ela passou o bar, eu mudei-me para a Terra dos Loureiros e nunca mais vi aquela malta. Tinha algumas saudades da conversa; não sei bem como, embora se fossem sucedendo uma série de temas encadeados uns nos outros, acabávamos sempre por passar pela física quântica, embora eu pouco pesque sobre o assunto e tenho a impressão de que eles também pouco mais. Se eu acreditasse em astrologia (ou noutra coisa qualquer, aliás), diria que era por pertencermos todos a signos do ar - duas balanças, dois gémeos e um aquário; pegávamo-nos na conversa e aquilo durava horas. Mas quanto a isso tive de continuar com as saudades, porque aquilo de que os geeks mais gostam, bem mais do que da conversa, é de qualquer coisa que tenha um ecran à frente e uns botõezinhos para carregar. O pessoal agarrou-se à wii do Francisco e pronto, foi o programa da noite. Vinguei-me em três cervejas e meia e nos salgadinhos. Mas até foi fixe.
E para quem não percebeu, eu estava disfarçada (disfarçada...?) de dominatrix, o que me leva lindamente ao próximo tema, que é a Gathering Party do próximo dia 15, desta vez num sítio onde aparentemente se consegue estacionar com facilidade (!!!), mas a que muito provavelmente não vou poder ir - porque sozinha não vou e nesta altura nem sequer estou a ver possíveis acompanhantes. Mas é da maneira que fico em casa a trabalhar, que estou outra vez apertada com os prazos (o costume).
O cartaz é talvez o pior que eles já fizeram, mas suponho que têm de se restringir às imagens que lhes fornecem. O anterior era óptimo, classudo até, mas enfim, a coisa nem sempre corre tão bem em termos de design.
Rai'staparta mais à ideia.

Fui andando para a parte de trás do complexo, onde eles têm as hortas, e às tantas apareceu-me uma empregada do refeitório (a avaliar pela touca) a perguntar o que eu queria. Disse-lhe que andava a tirar fotografias e continuei. Ao dar a volta, veio uma outra ao meu encontro, esta já com ar de funcionária burocrática, a querer saber a que é que eu estava a tirar fotografias. Antes que eu respondesse, perguntou logo toda ansiosa se era ao prédio e aos interiores. Disse-lhe que só estava interessada nas couves e nas bolinhas giras e continuei o meu passeio. Pelo que me contou a minha tia à saída, na recepção também estavam um tanto apreensivos "porque andava ali uma mulher só a tirar fotografias..." Ok, nós sabemos que eles já estão bastante escaldados com jornalistas e afins, mas pela amostra deve ser realmente um stress do caraças trabalhar num sítio destes, se passarem a vida a ver espiões e conspirações de cada vez que passa um turista.
Para fazerem uma ideia do tamanho deste escaravelho cabeludo, essa é a unha do meu mindinho, que tem um centímetro de comprimento.
E mais uma, agora visto por cima. Sempre gramei à brava escaravelhos e nunca tinha visto um exemplar destes. Acredito que seja um bicho comum apanhado numa fase de transição, mas não tenho a certeza porque não consegui encontrar nada parecido na net.
Um gafanhoto a apanhar sol ou a ver as vistas, já que por aqui perto não há nada que se trinque.
E como já estão uns matulões, a pobre da Riscadinha fica lá debaixo a levar com eles, só com as orelhinhas de fora.
Haja pachorra para aturar uma família numerosa.
A Sally está agora com sete meses, se as contas não me falham, e é o protótipo do bichano inteligente, meiguinho e altamente independente. Tão independente que podia ter ficado em casa e tornar-se o terceiro gato oficial da tia, mas prefere andar pelos telhados com o irmão, o Shy, esta lindeza aqui em baixo que, ao contrário dela, é um assustadiço que não dá confiança a ninguém.
As cores dele, o pelo bege e os olhos claríssimos, fazem-me lembrar um husky em versão gato. As photos tiveram de ser tiradas com o zoom, porque ele não deixa que eu me chegue perto.
E termino com a minha banda sonora do momento, enquanto estou a trabalhar – HIM (ou Ville Valo, mais exactamente) em versão acústica. Nesta altura ele ainda era um puto de vinte e poucos anos que costumava aparecer todo pintalgado nos clips da banda, a explorar uma imagem de lindinho duvidoso. Aqui é ele mesmo, de cara lavada, a cantar a sério, com caretas e enganos pelo meio, sem a preocupação de fazer olhinhos para as pitas se derreterem. Lindo lindo.