24.2.09

Diário do Oeste - 29

Watachi wa Ermita dess!
Quer isto dizer que ultimamente tenho papado tanto anime na televisão encabada que já deu para aprender uma série de palavras em japonês. Isto, por exemplo, serviria para me apresentar. Se calhar devia ter procurado na net como se diz Ermita em japonês, mas depois ainda metia água na declinação, portanto o melhor é ficar assim.
Já agora - às vezes eu dou a morada do meu blog e o pessoal emenda-me porque acha que a palavra certa é eremita, com mais um E, pelo que aproveito para esclarecer que as duas formas estão certas. E eu prefiro usar esta porque é a mais próxima à (minha) oralidade.


Curva para chegar ao mesmo sítio;
- neste domingo passaram o Van Helsing no AXN e dei-me ao trabalho de ficar um bocado a olhar para aquilo, só para ter a certeza de que era de facto tão mau como eu me lembrava. E confirma-se. O raças do Van Helsing é provavelmente o pior filme que eu já vi. Não tem safa possível, nem à conta do espartilho da Kate Beckinsale nem da peruca do Hugh Jackman - e isto atendendo à minha panca por espartilhos e por fulanos cabeludos (o meu maior fetiche, confesso - o indígena até pode ser um estafermo, mas basta ter cabelos compridos para me fazer vacilar). É claro que há por aí muita coisa intragável, como aqueles filmes parvos para adolescentes imbecis que costumam passar nos canais públicos aos fins de semana, mas com esses ninguém tem grandes expectativas - já está toda a gente à espera que seja mais uma cretinice.
Neste caso foi uma armadilha; começaram por apresentar uns cartazes chamativos q.b., com um nome que qualquer apreciador de vampiros já conhece, e convenceram-me, a mim e a muitos, a ir ver o maior barrete dos últimos anos. Além da salada de monstros, lá naquela terra toda a gente é acrobata de circo, os lobisomens aderem às paredes (tipo homem aranha) depois de triplicarem de tamanho (tipo Hulk), o Drácula é completamente abichanado (mas quanto ao aspecto duvidoso dos vampiros, acho que só o Nosferatu de 1922 é que se safa) e por um erro qualquer de casting ou de direcção de actores (mais por aí...), todas as personagens secundárias são caricaturas rascas feitas por fulanos que declamam - ninguém fala normalmente. Yac!
Mas ainda quanto às expectativas - as minhas eram altas. Esperançosas, até. Porque nesse mesmo ano tinham andado a passar o Hellsing (anime) num canal alemão que eu via através da parabólica colectiva lá no Cacém City, uma versão dobrada onde eu só conseguia apanhar metade da conversa mas que dava para perceber que era uma óptima história (entretanto já vi os originais, evidentemente). E naqueles instantes entre ver os cartazes na rua e ir à net tirar dúvidas, imaginei que alguém podia ter sido suficientemente esperto para adaptar a série ao cinema. Aí sim, teriam acertado. Em vez disso, fizeram um filme de acção ultra-chato - o que deveria ser um contra-senso, mas eles conseguiram.
Terminando a curva;
- voltamos ao anime, mais exactamente ao Hellsing, e a umas imagens bestiais feitas pela Yukari Toshimichi, baseadas na série. O site chama-se Solid & Etc e tem coisas óptimas como esta aqui:


As imagens andam sobretudo à volta das duas personagens que mais me agradam, o Alucard e a Integra; a Seras Victoria é o pivot da história, mas tem poucas nuances e muito menos sumo. Não é preciso conhecer o enredo para apreciar os desenhos, mas talvez gostem de perceber de que raio se trata, portanto aqui vai um pequeno resumo bastante discutível (eu avisei): a Integra Hellsing é a descendente do tal caçador de vampiros e um dia encontrou o Alucard (Drácula ao contrário) acorrentado na cave lá de casa, resolvendo fazer dele o seu vampirinho de estimação. Continuando a tradição do bisavô, ela é a chefe de uma organização secreta que se encarrega de dar cabo do canastro a tudo o que seja vampiro e afim. O Alucard faz-lhe os recados, que normalmente envolvem explodir zombies e esburacar vampiros, e apesar de ser um psicopata disposto a matar tudo o que mexe, ele dedica-lhe uma fidelidade canina. A relação entre estes dois tem sempre uma tensão do tipo dominatrix/submisso que deixa todos os tarados como eu a pensar que, quando ninguém está a ver, devem fazer um regabofe do caraças lá naquelas caves.
Ah sim, como já disse a história base é óptima - a partir daí, volta e meia lá borram um bocadinho a pintura com os exageros e algum pormenor de mau gosto, mas o que interessa mesmo é a base; afinal é ela que segura tudo o que lhe põem em cima. E anime sem exageros seria uma coisa esquisita.
Já agora, talvez deva avisar que os desenhos do site são de longe muito melhores do que o traço das séries - no plural, pois, porque ainda por cima existem duas versões, uma feita durante a publicação dos manga e a segunda com mais preocupações de fidelidade ao original - prefiro francamente a caracterização da Integra na primeira, embora a segunda versão ganhe alguns pontos na lógica.


Terça-feira de Carnaval com algumas voltas aqui pela terreola. Comecei por sair de casa e ter de fazer metade do caminho atrás deste emplastro:
Acho que é a primeira vez que tiro uma fotografia enquanto conduzo, mas a esta velocidade eu até podia fazer o pino em cima do volante sem receios de ir parar à valeta.
Agarrei na tia, na Manela e na Bibia e fomos à procura de pessoal mascarado para eu lhes tirar o retrato. Começámos por parar na Atalaia, que estava ainda a reunir os carros para fazerem um mini-desfile. Nada de particularmente chamativo, mas aqui deixo um fulano de mini-saia em cima de um camião para abrir a série
e um bando de cupidos a planear o ataque:
A seguir fomos até à Areia Branca à procura de putos mascarados, que nestes dias costumam ser aos magotes, mas afinal havia por lá muito poucos. Aliás, nem putos nem areia, oh p'ra isto: Normalmente isto é uma praia com areia, acreditem, é daí que vem o nome... pois. Os calhaus ficam tapadinhos lá por baixo. Mas no Inverno aparecem estas marés que levam a areia toda e a praia transforma-se num grande calhau sedimentar cheio de crateras.
Este efeito das crostas é por causa da diferença de dureza entre a pedra cinzenta e a pedra branca. No meio das crostas ficam as crateras, os buracos das pedras brancas que se soltaram da pedra cinzenta. Aqui a contra-luz, com a água a brilhar nas crateras,
e uma fatia de rocha sobreposta:
Ondas a bater e um bocadinho de areia por cima dos buracos:
Uma pedra branca em feitio de búzio, metida dentro da cinzenta:
E a cratera que uma delas deixou:
Mas como o tema era o Carnaval, é melhor deixar-me de explicações geológicas e voltar ao assunto:A Bibia na esplanada da Foz. Não é um bicho esquisito com orelhas encarnadas, é suposto isto ser um disfarce de diabinha.


Seguimos então para Peniche à procura de outros carnavais - literalmente. Estavam a fazer um corso com vários carros e muita malta aos pulos, mas já só vimos o final. Mesmo assim ainda deu para termos um cheirinho a festa - e não levámos banho nem nada, facto assinalável por estas bandas, já que nas poucas vezes em que estive no Carnaval de Torres vim de lá toda encharcada.
Ora então começamos pelo primeiro carro que encontrámos, com uns fulanos lá em cima a fazerem as figuras do costume: O que vale é que o dia estava quente... mesmo assim, brrrrr! Enfim, depois de uns copos, talvez ajude. No entanto, é preciso ter muita gana de andar em cuecas na rua em pleno Inverno.
Logo a seguir vinham estas lindezas, numa carripana a tocar música
enquanto elas cantavam em coro:
A seguir fomos até à rotunda mais à frente e ficámos a ver o que restava do corso. Ainda lá estavam estas fadinhas verdes e repolhudas já de saída,

seguidas por um grupo de colombinas farfalhudas:

Depois apareceu um bando de bonecas de trapo, ou coisa que o valha

mais uns presidiários de vassoura em punho

e uns tipos disfarçados de balão de ar quente.

Ah sim, adorava saber qual era o enredo, mas não faço a mínima ideia.
Pelo meio havia ainda uns desgarrados aos pulos como este aqui, que se apresentava ao pessoal como "a gostosona":

Veio então o grupo das damas de copas, com uns quantos bobos à mistura (o joker?)

e a seguir as borboletas mais uns insectos verdes - borboletos? gafanhotos? Num sei.

Uma borboleta meia congelada - nesta altura começou a soprar o típico ventinho frio de Peniche:

Os bichinhos estavam bem tratados; deve ser do pólen.

E por falar em pólen, temos aqui um rasta com um granda tortulho nos queixos:
E depois iam entrar as mosqueteiras, mas só eu é que tinha trazido casaco e o resto do meu pessoal estava todo a congelar. Enfiei pelo meio da maralha e fui tirar as últimas photos já em plena confusão: Mais um grupinho de matrafonas, como não podia deixar de ser:
Ah, eles adoram o Carnaval...
Já estas aqui não devem adorar lá muito, que para palhaças estão um tanto carrancudas:
E por fim os mais bens disfarçados. Muito bem, mesmo a rigor. Aposto que aquelas pistolas têm fulminantes e tudo:
Voltámos para o carro. Enquanto as minhas companheiras batiam os dentinhos em coro, aproveitei para tirar mais umas a estas duas gaivotas no cimo de um prédio.
(esta é para quem gosta de composições um tanto esquisitas)

E a seguir perdemo-nos. Foi a maneira de irmos conhecer uns bairros de Peniche que nem sabíamos que existiam. É um facto - eu nunca pergunto o caminho. Mas o meu sentido de orientação estava certo. Eu sabia para que lado era a saída, o problema é que a câmara não tinha feito ruas até lá. Assim, fomos dar uma volta do caraças, tudo graças aos moços do apito que cortaram as ruas à conta do corso e nos obrigaram a seguir por maus caminhos, até ir desembocar em cascos de rolha, ou melhor, mesmo à frente da Papôa. E aqui está ela, desta vez tirada pela janela do carro, parado em plena bicha. Pára-arranca até à saída. E mais nada de assinalável.

...o quê? Já acabou? Desta vez não há flores?! Nem gatos?!!!
Não, lindos, não 'tou com febre. Aliás, tenho já uma data delas na calha para entrar (sim, não pensem que se escapam), mas nesta altura são três da manhã e tenho de largar isto. Portanto
Conbanwa!!!
(ok, isto quer dizer boa noite ...espero bem)

27.12.08

Diário do Oeste - 28

Começo com uma textura das tais que aprecio particularmente. Pedrinhas molhadas, desta vez.

A fronteira entre dois tamanhos de seixos, na foz da praia da Areia Branca.

E esta beleza é a porta da casa de banho dos moços do restaurante Foz. Pelos vistos o pessoal nem sempre percebia o boneco e tiveram de lhe pintar a inicial.
Quanto à porta das meninas, não sei se a placa teria inicial porque já só lá está o sítio.
E aqui é a chuva a cair de um algeroz a precisar de reparações. O resultado saiu mais interessante do que eu esperava - opinião minha, claro.

Mais um exemplo de toponímia curiosa lá nos Casais onde mora a tia.

Da outra vez publiquei aqui a placa da Rua Joaquim Careca, que eu não sabia quem era, mas que entretanto já identifiquei: era o meu primo, um velhote sorridente com uns olhos super azuis que morava naquela rua, e que sempre conheci como o Jaquim Marquês. E se era careca ou não, ninguém sabe ao certo porque o primo andava sempre com um barrete enfiado na cabeça. Quanto ao desgraçado que deu o nome a este largo, era magrinho que nem um pau de fósforo. "Gordo" era a alcunha de família. Mas eles por aqui não perdoam. Se for filho do Gordo, passa a ser Gordo também. Mesmo que a descrição não corresponda.
A alcunha do meu ramo da família é Pitéu. Ao que consta, vem isto do facto de o meu bisavô ter o hábito de gabar muito os pitéus da minha bisavó. Mas entretanto o Pitéu só teve filhas. Quatro filhas, mais exactamente. E à boa tradição aqui do Oeste, elas passaram automaticamente a ser as Pitéuas (!!!) Exacto, leram bem - pitéuas. A gramática não é para aqui chamada. A minha tia avó Maria Lucinda, que viveu mais tempo ali na terra, era a Ti Mari Pitéua. E a minha avó era conhecida como a Matildes Pitéua, embora só pelas costas, porque ela ficava furiosa sempre que alguém a tratava pela alcunha. Lembro-me de uma vez passarem uns putos pelo portão dela e de um deles gritar "eh Ti Pitéua!"
"Um granda pitéu tem a tua mãezinha entre as pernas!" - berrou ela lá de dentro. Suponho que era para ouvirem pérolas destas que os putos se metiam com ela.

E aqui temos o Shy, que está cada vez menos shy e a ficar mais afoito - agora até já se bate à fotografia em vez de fugir para baixo dos arbustos assim que eu me aproximo. Ainda bem.
E a Yara em pleno "miau". Quando tiramos fotografias a alguém a falar, o resultado é semelhante. Mas bastante menos divertido, é um facto.
Quem disse que as galinhas não voam? Ok, não serão meninas para grandes voos, mas conseguem dar uns pulos esvoaçados suficientemente grandes para chegarem aos telhados e ciscarem o musgo. Ora vejam lá estes dois: As photos estão um bocado ranhosas porque o meu zoom não dá para mais, mas como podem ver temos aqui uma galinha branca e um galo às cores a passearem em cima das telhas.

E para não dizerem que o meu blog é só gatos, aqui vão dois dos canitos do Ricardo:
A Estrela, uma cadela toda simpática que se pôs logo de cu no ar assim que me viu a apontar-lhe a máquina, a pensar que era uma brincadeira nova qualquer;
e aqui é o... Sporting? Ou será Leão? Eles são cinco e não me lembro qual é este, mas será uma coisa dessas. Enfim, é um cão ao sol a bater-se à photo.

A minha Zarosky no último ataque de miaoooows, a rebolar-se praticamente em cima do meu teclado:

A minha madrasta ligou-me um destes dias a dizer que tinha visto uns casaquinhos de cão na loja do chinês, a ver se eu estava interessada numa coisa dessas para a Zarosky. Com o briol que tem feito por aqui, eu achei que valeria a pena experimentar, já que ela gosta de estar tapada e muitas vezes vai enfiar-se debaixo dos cobertores para fugir ao frio. Calculava no entanto que a tal capinha iria durar umas horas de almoço até ficar feita em fanicos - tentar vestir um gato acaba normalmente em várias arranhadelas e num fatinho às tiras, por aquilo que me lembro de aqui há uns anos, quando o veterinário receitou uma pomada para uma gata com o leite encaroçado e disse que lhe puséssemos uma espécie de colete para ela não se lamber. A minha mãe demorou mais tempo a fazer o colete do que a gata a esfarrapá-lo. Lembro-me de que o colete era azul turquesa e que a Tati parecia um chouriço com aquilo vestido. Uma visão de poucos minutos...
Desta vez a capinha era em rosa saloio. Curiosamente, apesar do mau feitio da Zarosky, não levei dentadas nem arranhadelas nem nada. Deixou-se vestir e fotografar e nem se mexeu. Deve ter sido por ainda estar com a ressaca do cio - nos dias que se seguem ela costuma ficar um tanto alquebrada.
Acho que ficou tão assarapantada que nem se atreveu a mexer-se com aquela coisa vestida. Ainda tentou desenfiar uma pata de dentro da cava, mas a capa estava muito justa e não lhe dava espaço de manobra. Já que não se conseguia livrar daquilo, deixou-se ficar quieta enquanto eu a fotografava, embora com um ar altamente chateado:
Tirei as photos só para ficarem para a posteridade, despi-lhe a fatiota e disse à minha madrasta que a trocasse por qualquer coisa que lhe interessasse - aliás, a condição foi essa logo à partida, combinada com o chinês antes de ela me trazer isto. E entretanto continuo a tapar o gato com um edredon enquanto ele faz as suas sestas pelos sofás, se não for ele mesmo a enfiar-se por baixo dos cobertores.


E agora um escaravelhinho lindo que encontrei ao pé do Intermarché da Terra dos Loureiros, castanho e polido como uma barata:
E uma folha um bocadinho rota da planta super farfalhuda que a minha tia tem no quintal, vista em contra-luz para mostrar os veios:
Quanto ao meu Natal, desta vez não tive pantufas, nada disso, que estas aqui fui eu que as comprei em Torres, a antecipar-me ao Pai Natal antes que o gajo me trouxesse outra vez umas coisas enormes em pano de colchão, como aquelas lindezas do ano passado (é só ir ver lá atrás, que eu pus a photo aqui no blog).
Mesmo assim, isto não me aquece os presuntos. Mas isso não há nada que aqueça se não tiver uma fonte de calor qualquer. Eu costumo ter os pés tão frios (e as mãos e o nariz), que ponho a borracha de água quente na cama e tenho a sensação de que ela não me aquece; eu é que a arrefeço.
Mas pronto, voltando às prendas, desta vez fiquei feliz da vida porque o Pai Natal me trouxe uma data de coisas que eu gosto - o gajo às vezes acerta - ou seja, um monte de livros e de chocolates. Yupi:
E mais uma caneca às florinhas, uns brincos de prata e a edição especial do dvd do Sweeney Todd. Os brincos e o dvd é que era de facto aquilo que eu tinha pedido - e é sempre melhor fazer pedidos ao Pai Natal do que ficar à espera que o gajo acerte, por muito que o pessoal ache que assim se perde a graça. Para mim não perde nada, que eu gosto pouco de surpresas. Mas gramei os livros. É o resto que me faltava da colecção que andava a sair todas as semanas e que eu pensava que já não conseguia arranjar. O barbudo teve olho, não há dúvida.
E aqui é a minha árvore de Natal deste ano, com bolinhas castanhas e laçarotes dourados. Não me lembro se no ano passado já estava assim ou se tinha as bolas azuis, mas estas ficam melhor com a decoração.
Quando tiver acabado de arranjar a sala, logo lhes mostro como ficou. Por enquanto ainda me falta o sofá e a mesa, mas como podem ver tem uma parede cor de laranja, a condizer com as cortinas, e os móveis são muito escuros.
Mas voltemos ao Natal. Passei-o em casa da minha tia, mais os compadres dela, o afilhado, a mulher e o filho, tal como é costume o pessoal passar aqui na terra (e provavelmente no resto do país) - a enfardar até lhe chegar com o dedo.
Como era de bom tom eu contribuir para o jantar, resolvi encomendar uma lampreia de ovos, que é talvez a única coisa que eu ataco nos casórios. E como me constou que a comadre da minha tia faz o mesmo, achei que a gente as duas bem que dava cabo da bicha. Venderam-me uma coisinha minúscula (900 gramas, disseram eles lá na pastelaria) e afinal praticamente só eu é que a ataquei, que a outra estava já tão atafulhada em comida que nem para a lampreia lhe sobrava barriga. Mas vejam-me só a cara da lampreia: Com a língua de fora, a fazer caretas à gente. Hihihi.
E isto aqui sou eu no dia de Natal, uma desculpa para mostrar os meus brincos novos e a minha linda camisola aos folhinhos:
E pois, é uma chatice, mas um gajo começa a envelhecer e já só consegue ficar razoável a fazer poses parvas, com a cabeça levantada para parecer tudo mais lisinho.
Na tarde de dia 25, depois de mais uma sessão de comezaina, fomos passear até ao Bombarral, mais exactamente àquele parque de estátuas do Berardo, que ainda nenhum de nós tinha visto, provavelmente porque fica mesmo aqui ao lado. O compadre da tia era o único que já lá tinha estado e fez questão de me servir de cicerone enquanto eu ia fotografando aquilo tudo (182 photos, mais exactamente - sou mesmo bruta, eu).
Esta aqui faz parte do complexo do palacete, pelos vistos uma quinta daquelas que organizam casórios, mas não sei se haverá muitas noivas a quererem tirar o retrato ao pé deste sacrista, cheio de gajas meias descascadas à volta dele a apaparicá-lo. Provavelmente nem sequer faz parte do espólio do Berardo, até porque não tem nada a ver com as outras, um conjunto enorme entre o chinês e o indiano. As tais estátuas da colecção estão a seguir a este portal enorme:
E logo depois vem esta avenida cheia de carecas:
Para o meu sentido estético, os budas e afins são todos um tanto atarracados, com a perna curta e um ar grosseiro. O que impressiona mesmo é a quantidade de estátuas e a gente imaginar a trabalheira e a despezona que foram precisas só para acartar com aquilo tudo até ali.
E agora, como não fiz os trabalhos de casa e não fui pesquisar a net para saber quem são estes todos, também não posso pôr legendas. Esta (ou este?) aqui em cima faz-me lembrar uma deusa da felicidade porque tenho uma estatueta de louça muito parecida - e foi assim que a chinesinha que ma vendeu a identificou (e data isto dos anos oitenta, da época pré-chinês massificado, quando só se arranjava coisas exóticas em lojas da especialidade). Mas pode não ser nada disso, portanto é melhor não arriscar. É talvez a estátua maior de todas e está no cimo de uma encosta.
Este moço cheio de braços parece ter umas asas mas afinal não é nada disso, ora reparem bem:Pois é isso: são mais braços. As asas são leques de mãos. E na parte de trás tem outro moço igual a este.
Um buda dourado na encosta onde está aquela matulona que aparece na primeira fotografia.
E aqui temos um Buda refastelado a apanhar sol a meio da encosta.
Uma das estátuas de que mais gostei (apesar de também ter a perna curta), que estava logo à entrada do parque. Uma pena ter algumas mãos partidas.
Estas colunas estão a rematar um grande campo de soldados de terracota. Têm uns dragõezinhos giros no cimo e o fuste está todo gravado com sauvásticas - a suástica é ao contrário, tem as "perninhas" para o outro lado, nada de confusões.
E cá estão eles, os tais guerreiros de terracota, uns mais pintados do que outros, com cavalinhos e tudo.
Pela posição das mãos, presumo que eles deviam estar a pegar em lanças, espadas ou rédeas.
Os tais cavalinhos, um bocado baixotes para os cavaleiros, mas pronto, também não é preciso ser picuínhas, né?
Um grande plano de um dos pintalgadinhos e um grupo deles instalado no cimo de uma encosta.

E mais uma photo das tais que eu classifico nas texturas, desta vez com uma data de estátuas pequenas em frente ao campo dos soldados.
E acho que já chega por hoje.